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Cultura

Um dos maiores cartunistas do Brasil, Angeli completa 70 anos

Agência Brasil · 31/08/2026 18:57

Um dos maiores cartunistas do Brasil, Angeli completa 70 anos

Do punk anarquista Bob Cuspe à desbocada e libertária Rê Bordosa. Dos Skrotinhos, gêmeos politicamente incorretos, a Wood & Stock, dois hippies parados no tempo, passando pelo guru picareta Ralah Ricota, o cartunista Angeli criou personagens de forma crua e ácida para retratar tipos urbanos controversos.

O paulistano do bairro da Casa Verde, que se tornou um dos maiores chargistas e cartunistas do país, completa 70 anos de idade nesta segunda-feira (31).

Arnaldo Angeli Filho já desenhava na infância e o contato na adolescência com os desenhos de Millôr Fernandes, Jaguar e Ziraldo no jornal O Pasquim foi decisivo para a escolha de se tornar cartunista.

Nos anos 70, Angeli começou a fazer charges para o jornal Folha de S.Paulo e, logo depois, criou a tira diária Chiclete com Banana, que se transformou numa revista de quadrinhos independente.

É nessa publicação que surgem os personagens Los 3 Amigos, criados por Angeli e pelos cartunistas Glauco e Laerte. Ao trio, se juntou Adão Iturrusgarai, o quarto elemento dos amigos.

Adão disse que conheceu o trabalho de Angeli pelas histórias da Rê Bordosa.

"Aprendi muito com eles, mas o negócio mais legal era amizade e parceria. Aprender para a vida, não para o trabalho, mas obviamente que, sem querer, eu absorvi muita coisa deles. Somos amigos até hoje. Enfim, me influenciaram muito no trabalho, o Angeli, principalmente”, disse Adão.

“Arrisco a dizer que o Angeli é um dos maiores artistas do mundo do século 20. Ele quebrou aí com uma tradição do quadrinho mais durão brasileiro, mais sisudo. Naquela época que eu conheci o trabalho dele, era uma época que todos os cartunistas estavam voltados para a coisa da ditadura, o cartoon com o general. E daí, de repente, o Angeli veio com aquela pegada Rolling Stones, de rock. Isso me pegou muito. Vestido de preto, punk. E eu tinha uma atração muito grande por esse universo do rock, do punk, São Paulo nos anos 80 era um lugar maravilhoso, assim, uma Disneylândia do underground", afirma.

Bob Cuspe, o punk velho e ranzinza que cospe na hipocrisia da sociedade, é um alter ego do próprio Angeli. Criador e criatura se deparam no filme lançado em 2021, Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente, dirigido por Cesar Cabral.

Em um trecho da animação, Angeli fala sobre as mudanças no seu trabalho. "O Angeli não é o mesmo. Mudou muito. O meu desenho mudou. Você acorda um dia que você não tá bom. Não tem como pensar numa coisa legal e tal", disse.

Sem medo de mudanças, o cartunista decidiu matar sua personagem mais famosa, a nada careta Rê Bordosa, que explodiu de tédio depois de se casar.

O cineasta Otto Guerra, diretor da animação Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll, fala sobre a personagem que não poderia ficar de fora do filme.

"A Rê Bordosa virou uma figura, na época, assim, digamos, mais famosa que o próprio Angeli. Ele tentou matar ela de várias formas durante muito tempo. A gente colocou ela. A Rê Bordosa é um tapa na cara das pessoas que passam o tempo fingindo coisas. Ou tendo que assumir papéis. No fim das contas, a gente acaba tendo que usar várias máscaras. E a Rê Bordosa não usava nenhuma. Ela era muito autêntica. Grande personagem. Grande Angeli", diz.

A atriz Grace Gianoukas deu voz à Rê Bordosa num curta-metragem, na série de animação e no longa Bob Cuspe.

Para Grace, Angeli traduziu como ninguém o espírito dos anos 80 e 90. "É de uma profundidade psicológica. É um estudo aprofundado traduzido em síntese dos ti…

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-08/um-dos-maiores-cartunistas-do-brasil-angeli-completa-70-anos

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