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Direitos Humanos

Dia da pessoa com deficiência: arte e movimento desafiam capacitismo

Agência Brasil · 21/09/2026 07:30

Dia da pessoa com deficiência: arte e movimento desafiam capacitismo

Luciano resolveu captar a rotina de forma especial em imagens e palavras depois que perdeu a visão, aos 24 anos.

Ele está perto de realizar um sonho: a publicação do primeiro livro, Meu olhar(de 120 páginas, em edição independente), prevista para novembro. A obra reúne imagens e 100 poesias.

Descobriu a fotografia há 10 anos e utiliza a máquina com suporte de um software de voz.

Luciano mapeia o ambiente pelo corpo, incluindo a textura do chão, a inclinação do terreno, os sons ao redor. Com o celular, tem o apoio das informações sobre o que está diante da câmera. Com a descrição, a tecnologia traduz a imagem que poderá surgir, e, com essas informações, decide por dar o clique na máquina que comprou com as economias que fez.

Inclusiva

Nascido em Lajinha (MG), o fotógrafo se mudou para Brasília em 2002 para estudar biblioteconomia e trabalhar. Já quando atuava no Senado como assessor, participou de uma oficina de fotografia inclusiva. Encantou-se mesmo quando ouviu a orientação: “busquem aquela imagem do cotidiano que ninguém presta atenção”. Ele prestava atenção em tudo.

Folha seca, pedrinha no chão, a luz e a chuva refletidas. A máquina passou a ser uma extensão de seus braços e dos sentimentos que resolveu alcançar.

“Eu coloco a câmera pertinho do chão e fotografo a grama. Eu adoro os degraus”. Não o obstáculo, mas a luz que se forma entre eles. Ou as pessoas andando, dançando. Pede que elas coloquem um guizo no pescoço para que ele possa buscar.

“Eu já passei mais tempo da minha vida como um cego (desde os 24 anos) do que enxergando. Mas eu sei muito bem o que é beleza visual. Isso ainda está guardado aqui no meu cérebro”. Ele recorda e imagina as frestas.

A esposa dele, a cerimonialista Edna Teodoro, de 54 anos, diz que ele a surpreende a cada dia com a capacidade de criação permanente. “O convívio representa um aprendizado grande pra mim. Ele é animado todos os dias”.

Ela lamenta testemunhar episódios de capacitismo (quando alguém subestima uma pessoa com deficiência). “Recentemente, fomos fazer um lanche no shopping e a atendente me perguntou o que ele iria querer, como se ele não pudesse compreender. Eu falei que ela podia perguntar para ele direto”.

A esposa explica que ele sente poesia em tudo. Tanto que ele vive acelerado pensando no segundo livro. “Meu sonho é viver da minha arte”.

Moda

Outra artista apaixonada pelo que faz é a estilista goiana Juliana Santos, de 40 anos. Ela mora em São Paulo e vive um momento de tristeza em função de uma série de ataques na internet. Ela ingressou na Justiça com uma ação que pede reparação.

"Eu quero ter paz novamente. E, para mim, essa paz passa necessariamente por uma resposta das autoridades e por uma investigação que finalmente esclareça o que aconteceu", diz.

Prints reunidos pela estilista mostram comentários direcionados diretamente à sua condição de pessoa com deficiência. O impacto da exposição passou a repercutir diretamente em sua atividade profissional, com cancelamentos e perda de contratos. Em 12 anos de trabalho, Juliana já produziu mais de 2.300 vestido…

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-09/dia-da-pessoa-com-deficiencia-arte-e-movimento-desafiam-capacitismo

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